25/03/2011

Bancos abrem 24 mil vagas em 2010, mas usam rotatividade para reduzir salários

Os bancos que operam no Brasil criaram 24.032 novos empregos em 2010, o que representa 1,12% dos 2.136.947 postos de trabalho gerados por toda a economia no ano em que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,5%, o maior salto dos últimos 25 anos. Esse é o resultado da Pesquisa de Emprego Bancário (PEB) realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) em parceria com o Dieese, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.

O resultado contrasta com 2009, ano em que o PIB brasileiro não cresceu em razão da crise internacional, quando o sistema financeiro fechou 621 postos de trabalho. Mas a pesquisa de 2010 (a oitava já realizada pela Contraf-CUT/Dieese) mostra que a rotatividade da mão-de-obra permanece alta nos bancos e se mantém a discriminação contra as mulheres, que recebem menos que os homens tanto na admissão quanto no desligamento.

"Apesar do aumento no número de vagas, a rotatividade continua alta no sistema financeiro, mecanismo que os bancos usam para reduzir a média salarial dos bancários. Essa é uma prática perversa do setor onde somente as seis maiores empresas tiveram lucro líquido de mais de R$ 43 bilhões no ano passado", compara Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

Em 2010, o sistema financeiro contratou 57.450 trabalhadores e desligou 33.418. A remuneração média dos desligados foi de R$ 3.506,88, valor 37,57% superior ao salário médio de R$ 2.188,43 dos admitidos. A região Sudeste foi onde os bancos mais abriram postos de trabalho (16.065). O Norte registrou o menor saldo de emprego (981).

> Clique aqui para acessar a tabela

Emprego diminui nas faixas mais altas

O saldo positivo de emprego nos bancos em 2010 está concentrado nas faixas salariais até três salários mínimos. Acima do valor equivalente a quatro salários mínimos, o saldo de emprego é negativo em todas as faixas de remuneração, como mostra a tabela.

> Clique aqui para acessar a tabela

A pesquisa demonstra também que os bancos continuam dando preferência aos jovens nas contratações. Na faixa etária até os 30 anos, o saldo positivo de postos de trabalho foi de 28.090 no ano passado. A partir dos 40 anos de idade, o saldo de emprego é negativo.

Al�m de jovem, os novos contratados t�m alta escolaridade: 42,21% possuem o superior completo e outros 35,66% estavam cursando o terceiro grau. Mas a escolaridade dos que se desligaram era maior ainda: 60,7% com curso superior completo e 23,59% cursando a faculdade.

Mulheres j� entram nos bancos ganhando menos

Na compara��o de g�nero, a pesquisa mostra que os sal�rios das mulheres banc�rios s�o inferiores tanto na contrata��o quanto no desligamento. As banc�rias desligadas em 2010 recebiam sal�rio m�dio de R$ 2.887,21, valor 28,71% inferior � remunera��o m�dia de R$ 4.049,92 dos homens. Na admiss�o, as mulheres foram contratadas com sal�rio m�dio de R$ 1.833,35, contra R$ 2.534,52 dos trabalhadores masculinos - uma diferen�a de 27,66%.

> Clique aqui para acessar a tabela

"Esses dados confirmam mais uma vez a exist�ncia de discrimina��o contra as mulheres dentro dos bancos, deixando claro que precisamos avan�ar muito nas discuss�es sobre igualdade de oportunidades, que certamente ser� um dos eixos da campanha nacional de 2011", afirma o presidente da Contraf-CUT.

Cresce n�mero de pedidos de demiss�o

O estudo Contraf-CUT/Dieese revela tamb�m uma altera��o significativa em rela��o �pesquisa de 2009 no que se refere aos tipos de desligamentos dos bancos. No ano retrasado, do total de afastamentos do sistema financeiro, 35,65% foram pedidos de demiss�o dos banc�rios. Em 2010, a demiss�o volunt�ria subiu para 49,08%.

Os pedidos de demiss�o estavam concentrados nas fun��es de escritur�rio, que � in�cio da carreira. Nesse segmento, 64,56% dos afastamentos foram a pedido.

> Clique aqui para acessar a tabela

"Algumas das raz�es que explicam o fato de a metade dos desligamentos serem por iniciativa dos pr�prios trabalhadores s�o que eles n�o suportam mais as press�es por obten��o de metas cada vez mais abusivas e o ass�dio moral que vem como consequ�ncia", avalia Carlos Cordeiro. "Essa tamb�m ser� com certeza uma das principais reivindica��es da campanha deste ano."

Compartilhe no
Notícias relacionadas...

Outras notícias...

Expediente:
Presidenta: Suzineide Rodrigues • Secretário de Comunicação: Epaminondas Neto • Conselho Editorial: Suzineide Rodrigues, Epaminondas Neto, Josenildo Santos, Beatriz Albuquerque e Expedito Solaney • Jornalista Responsável: Beatriz Albuquerque  Redação: Beatriz Albuquerque e Brunno Porto • Produção de audiovisual: Kevin Miguel •  Programação Visual: Bruno Lombardi