15/02/2019

CUT pode convocar greve contra a reforma da Previdência



A CUT prepara uma série de ações para unir a classe trabalhadora, as associações comerciais, os prefeitos de cidades de pequeno porte e a população em geral para impedir a reforma da Previdência, que o governo de Jair Bolsonaro deverá apresentar ao Congresso Nacional por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). 

Na primeira reunião do ano da Direção Executiva da CUT, realizada em São Paulo, nos dias 13 e 14, foram discutidas as estratégias e ações em defesa dos direitos da classe trabalhadora, entre elas a convocação de uma greve contra a reforma da Previdência, que será desencadeada em todo o país, com o apoio de movimentos sociais e das demais centrais sindicais.

Sindicalistas de todo o país discutiram também um calendário de lutas contra o fim da aposentadoria; um ato por Lula Livre, em 7 de abril, quando a prisão política do ex-presidente completa um ano; em 1º de Maio, quando deverá ser realizado um ato unificado pelo Dia Internacional do Trabalhador; e em 8 de Março – Dia Internacional das Mulheres.

Segundo o presidente da CUT Vagner Freitas, será na Assembleia da Classe Trabalhadora, com as demais centrais sindicais, no próximo dia 20 (quinta-feira), na Praça da Sé, em São Paulo, que a CUT vai ouvir os sindicatos do país e decidir que instrumentos de luta serão colocados em prática. "Estamos construindo a resistência que pode chegar numa greve", afirma Vagner Freitas.

Vagner, no entanto, adianta, que antes de uma greve, a CUT fará ações de conscientização da classe trabalhadora contra reforma da Previdência por meio de redes sociais; de pressão junto aos parlamentares nos aeroportos, em suas bases eleitorais e no Congresso Nacional com a volta da campanha "Votou, não volta"- que ajudou os trabalhadores a conhecer os parlamentares que traíram a classe trabalhadora votando a favor da nefasta reforma Trabalhista do ilegítimo Michel Temer (MDB) – muitos não voltaram para Brasília porque não foram reeleitos.

“Vamos para este embate porque a reforma da Previdência que Bolsonaro propõe, que obriga homens e mulheres a se aposentarem aos 65 anos de idade e cria o modelo de capitalização e poupança para os trabalhadores mais jovens, que já não deu certo em diversos países da América Latina, prejudica diretamente a classe trabalhadora, em especial os mais pobres”, diz o presidente da CUT.

Segundo ele, o governo Bolsonaro quer acabar com a Previdência e com o regime de seguridade social. Por isso, a CUT vai organizar os trabalhadores, os comerciantes e os prefeitos de pequenas cidades de até 100 mil habitantes, que dependem dos recursos que os aposentados recebem para movimentar a economia local.

“Eles já transformaram emprego em bico, criaram emprego sem qualidade, não valorizaram o salário mínimo e esquecem que a renda das cidades pequenas vem da Previdência, do pensionista que hoje sustenta a família porque o jovem está desempregado e isto tem um imenso impacto no comércio dessas cidades”, afirma Vagner.

Para o presidente da CUT, o governo terá dificuldades em aprovar a reforma da Previdência e por isso, tenta envolver prefeitos e governadores para fazer a reforma do setor público e ganhar a confiança deles.

Ainda assim, segundo Vagner, é preciso fazer o enfrentamento, conscientizando os trabalhadores que eles têm de vir para a sua autodefesa, que o governo vai ter enganá-los dizendo que a nova Previdência é um fundo , que os trabalhadores estarão contribuindo pra própria aposentadoria e não para quem é privilegiado.

“É uma mentira, o sistema de capitalização é uma ‘ajuda’ que o governo está dando para o setor financeiro. O trabalhador vai ter de, junto com o governo, comprar título de previdência de banco, e banco foi feito pra dar lucro para o dono e não ser coerente e fazer justiça social”, diz

Seguridade em risco

Vagner alerta que os trabalhadores têm de saber que, com a reforma, ao se acidentarem no ambiente de trabalho não terão mais seguro porque é a Previdência que paga esse tipo de auxílio. "Bolsonaro está acabando com a seguridade social”, conclui.

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