05/11/2018

Eleição de governo autocrático ameaça democracia no Brasil



Após uma campanha baseada no antipetismo e no discurso agressivo contra os opositores, Jair Bolsonaro (PSL), capitão da reserva do Exército, é eleito presidente do Brasil com 55,13% (57,7 milhões) dos votos válidos. O candidato Fernando Haddad (PT), que chegou ao segundo turno com chances reais de vitória, ficou com 44,87% dos votos (47 milhões). A abstenção do eleitorado neste pleito foi de 21,30%.

A Bíblia e a Constituição Brasileira compuseram o cenário para a primeira transmissão ao vivo feita por Bolsonaro após a divulgação do resultado. “Não poderíamos mais continuar flertando com o socialismo, com o comunismo, com o populismo e com o extremismo de esquerda”, afirmou.

No discurso oficial à Nação, lido em rede nacional, o candidato fez referências a trechos bíblicos e citou o patrono das Forças Armadas, Duque de Caxias, ao garantir que irá “pacificar o Brasil”. Na ocasião, Bolsonaro reafirmou o compromisso com as reformas e o equilíbrio fiscal, que penalizará a classe trabalhadora.

“Entre as primeiras medidas que esse governo tentará aprovar no Congresso, estão a nefasta reforma da Previdência, a tipificação como terrorismo da atuação de movimentos sociais e a autorização para que as Forças Armadas atuem no patrulhamento das cidades. Querem impor à classe trabalhadora um retrocesso de mais de 30 anos; mas, não vamos aceitar qualquer tentativa de retirada de direitos”, afirma a presidenta do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Suzineide Rodrigues.

Antes do início do discurso de Haddad, após a confirmação do resultado das urnas, foi feito um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da intolerância nessas eleições - o mestre Moa do Katendê foi assassinado em Salvador no dia 10 de outubro após dizer que votou no PT, e Charlione Lessa Albuquerque, 23, foi baleado e morto durante carreata pró-Haddad em Paracaju no Ceará. 

A resistência e a defesa da democracia foram a tônica do pronunciamento do petista, que agradeceu à militância e aos políticos que o apioaram na reta final. O candidato fez críticas ao impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016, e à prisão e cassação da candidatura do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), neste ano; além de ter ressaltado a necessidade de garantir as instituições. 

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado tanto do exercício da nossa cidadania como agora. E quero dizer que senti uma angústia e um medo em várias pessoas. Não tenham medo. Nós estaremos aqui, estaremos juntos. Vamos abraçar a causa de vocês. Coragem. Viva o Brasil”, alerta Fernando Haddad.

Na avaliação de Suzineide Rodrigues, neste momento é fundamental que a classe trabalhadora se mantenha unida para barrar o retrocesso. “O candidato que venceu a eleição sempre votou contra os direitos das trabalhadoras e trabalhadores, se opôs às políticas sociais e ameaçou os militantes de esquerda, as mulheres, negros e os LGBTs. Entretanto, quase metade da população votou contra esse projeto que levará o Brasil ao retrocesso político. Nós nos fortalecemos neste processo e seguiremos lutando e resistindo”, conclui.

Compartilhe no
Notícias relacionadas...

Outras notícias...

Expediente:
Presidenta: Suzineide Rodrigues • Secretário de Comunicação: Epaminondas Neto • Conselho Editorial: Suzineide Rodrigues, Epaminondas Neto e Adeílton Filho • Jornalista Responsável: Micheline Américo  Redação: Beatriz Albuquerque e Brunno Porto • Coordenação, Supervisão e Produção de audiovisual: Tempus Comunicação •  Programação Visual: Bruno Lombardi