25/09/2018

Mudança no estatuto da Caixa é novo ataque ao banco público



Uma nova mudança no estatuto da Caixa acaba de ser aprovada pelo Conselho de Administração do banco. Ela estabelece, entre outros itens, alterações nas áreas de controle como a Jurídica, Auditoria e Corregedoria - as duas últimas passam a ser diretorias, permitindo-se que sejam comandadas por agentes externos. A representante dos empregados no CA, Rita Serrano, questionou a proposta e, mais uma vez, votou contra.


Para a conselheira, acabar com a exclusividade de que empregados de carreira assumam as diretorias abre espaço para indicações que vão contra os princípios e manutenção do banco público, além de causar danos às regras de governança interna. É algo totalmente inusitado, porque o estatuto foi mudado recentemente”, aponta, lembrando que o período é de transição para um novo governo. Justamente por isso, talvez, essas alterações venham ocorrendo, numa espécie de corrida contra o tempo para facilitar o processo de desmonte das empresas públicas, porque, como não conseguiram abrir o capital da Caixa, agora a tentativa é para privatizar a gestão.


Em agosto passado a conselheira também votou contra a escolha de vice-presidentes em processo seletivo externo por uma consultoria privada. “O que eu proponho é que tanto os cargos de diretoria quanto os de vice-presidentes sejam ocupados pelos empregados, que são concursados e têm rígidos critérios para ascensão na carreira. Esse é o caminho mais justo e mais transparente, dificultando a influência de interesses privados na gestão”, avalia a representante dos empregados. Segundo Rita, o argumento de que essas alterações acabariam com as influências políticas no comando banco é “totalmente falacioso, porque os cargos de diretoria sempre foram ocupados por empregados concursados”.


Golpe - A alteração no estatuto foi aprovada no último dia 17 e desde então gerou manifestações de várias entidades representativas dos trabalhadores que consideram o ato como verdadeiro golpe comandado pela presidente do CA, Ana Paula Vescovi. Entre as entidades que se pronunciaram contrariamente à mudança estão Apcefs, Advocef, sindicatos de bancários e a Fenae que, em nota, repudiou a mudança “como mais um ataque ao banco 100% público, social e a serviço dos brasileiros”.

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