22/05/2018

VII Oficina – rede de Mulheres Uni América discute atual conjuntura política nacional



Representantes de diversas entidades sindicais se reuniram, de 14 a 16 de maio, na VII Oficina – rede de Mulheres UNI Américas, para discutir sobre a conjuntura política nacional. O evento, que aconteceu na Colônia de Férias do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, destacou a importância da união da esquerda na luta contra o retrocesso.


Na abertura, além de representantes das Entidades sindicais, o evento contou com a presença da companheira Briceida Gonzalez, diretora regional da UNI AMERICAS.


Segundo Briceida, este é um momento de solidariedade. “O Brasil vive um momento muito grave, em relação a direitos sociais e direito das mulheres”, disse.


A companheira Karen de Souza, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região (SEEB/SP), saudou os presentes em nome da Contraf-CUT e destacou a importância dos temas tratados na Oficina e a importância da organização da juventude no momento atual do país.


Na terça-feira (15), o jornalista e ex-ministro Paulo Vannuchi e a pesquisadora da Universidade Federal de Campinas (UNICAMP), Marilene Teixeira, fizeram uma análise da atual conjuntura política nacional.


Em sua explanação, Vannuchi fez um resgate na história para mostrar que a democracia é uma construção histórica. “A história é uma sequência de ciclos e não é a primeira vez que está acontecendo retrocessos no Brasil. O que está acontecendo no Brasil é a desconstrução da democracia, dos direitos humanos”, afirmou.


Vannuchi também destacou os importantes avanços nos governos Lula e Dilma. “Podemos afirmar que, enquanto esteve no poder, a esquerda promoveu grandes mudanças sem ser necessário o derramamento de sangue. Tivemos muitos acertos neste período mas erros também como, por exemplo, na comunicação”, disse.


Ele também enfatizou que em dois anos de governo Temer, a violência voltou a crescer no País. “Os impactos na vida da mulher foram danosos e também houve aumento da mortalidade infantil”, explicou.


O ex-ministro destacou ainda que é essencial enfrentar a questão das mulheres, dos negros e da juventude. “Podemos acrescentar também a cultura, que é uma esfinge que temos que decifrar. Se a luta sindical não tiver vencido estes temas, teremos menos êxito de vitória. ”


De acordo com Vannuchi, para enfrentar o retrocesso, é preciso que a esquerda se uma em prol do combate a essa violência e da retirada dos direitos dos trabalhadores. “Devemos nos desapegar do saudosismo, criar a unidade mesmo nas divergências e entender que os momentos mais importantes são aqueles que ainda estão por vir. A revolução é a busca de um tempo que está sempre a nossa frente, explicou o ex-ministro.”


Marilane afirmou ser otimista em relação ao futuro do Brasil, mas lembrou que vivemos num país comandado pelas grandes corporações, principalmente o capital especulativo, que ganhou e até hoje ganha muito dinheiro.


Com foco central no emprego, sua palestra propôs repensar a sociedade atual e a produção de bens, ressaltando que a robotização e a tecnologia estão mudando significativamente a sociedade e nesse cenário, as principais vítimas são as mulheres. “Nós temos um trabalho muito árduo como mulheres”, disse a pesquisadora.


A economista do Dieese, Bárbara Vallejos, explicou que a desigualdade no Brasil ainda existe e é preocupante. “Estamos vivendo a pior crise de todas. A incidência de contrato intermitente e trabalho em casa é muito maior com as mulheres. São 12% das mulheres que trabalham atualmente são do emprego doméstico. Há uma ausência de alternativas nos demais mercados de trabalho”, disse.


A economista afirmou que a expectativa do país se recuperar do golpe é a partir de 2022. “Se não intervirmos seremos jogadas aos piores locais de trabalho ou tiradas do mercado de trabalho novamente. O governo diz que o mercado está se aquecendo, mas o que eu acredito é que as pessoas estão dando um jeito de sobreviver. ”


Impactos da Comunicação

Durante a tarde, os participantes abordaram o tema comunicação. Paulo Salvador, da Rede Brasil Atual, falou sobre o papel da comunicação em todo o contexto do golpe e destacou a importância em produzir e difundir comunicação e cultura diferenciada daquela vista na imprensa tradicional e comercial.


Neste sentido, destacou a Rede Brasil Atual, que foi criada em 2009, fruto de parceria entre alguns sindicatos de trabalhadores. A editora é responsável pela produção da Revista do Brasil, criada em 2006, e pelo portal RBA. A fundação detém a outorga das concessões da TVT, em 2010, primeiro canal aberto conduzido por entidades de trabalhadores, e da Rádio Brasil Atual, em 2012, (FM 98,9 na Grande São Paulo, FM 93,3 no litoral paulista e FM 102,7 no noroeste do estado).


De acordo com ele, 35% dos brasileiros não possuem uma mídia local. “É essencial que os sindicatos participem efetivamente deste projeto, seja por WhatsApp, pela tv ou pela rádio. "


Raquel Moreno, psicóloga e pesquisadora, falou sobre a imagem da mulher na mídia e sua influência sobre o imaginário, a naturalização da violência, a imposição de modelos e valores.


Criação inferiorizada e violência contra a mulher

No dia 16, a advogada, doutoranda e mestra em Sociologia Jurídica pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco – USP (FDUSP), Marina Ganzarolli, fez uma reconstrução da criação inferiorizada das mulheres desde a infância e apresentou dados alarmantes da violência contra a mulher.


Ela destacou que o Brasil é um dos países que mais mata mulheres, principalmente, as mulheres negras, nas quais se obtém os maiores índices de feminicídio.


Marina demonstrou ainda que as agressões começam de forma sutil. “Ciúmes, possessividade e tentar controlar a pessoa ( pedindo que mande a sua localização, proibindo uso de roupas)  são comportamentos clássicos do companheiro que podem levar uma mulher para uma relação de violência”, explicou.


De acordo com Marina, o Brasil é um dos líderes no número de casamentos infantis (4ª lugar), “Elas casam porque engravidam ou engravidam porque casam, normalmente são parceiros bem mais jovens que elas. Costumam viver uma relação de dependência financeira e submissão emocional.  Este tipo de prática que deixa as meninas ainda mais vulneráveis e aumenta a desigualdade de gênero. ”


A pesquisadora lembrou ainda que 5,5 milhões de crianças são registradas apenas pelas mães.


Para Elaine Cutis, secretária da Mulher, o evento foi enriquecedor. “Saímos dessa oficina com a certeza de que todas (os) tiveram um bom aproveitamento e, a partir da nossa reflexão, estamos mais fortes para enfrentar o próximo período de luta. Principalmente nós, as mulheres, que teremos os maiores impactos de todo este retrocesso”.

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