16/05/2018

Funcionários do BB participam de ato contra descomissionamentos



Nesta quarta-feira (16), mais de 50 funcionários do Banco do Brasil vestiram-se de  preto para protestar contra o descomissionamento arbitrário de quatro bancários em Pernambuco. O ato público foi realizado pelo Sindicato dos Bancários de Pernambuco, em frente à agência BB-Recife. Os empregados paralisaram suas atividades das 9h às 11h para cobrar que o banco, que lucrou mais de R$ 11 bilhões no ano passado, esclareça quais foram os critérios levados em consideração para determinar a dispensa.


Apenas com a finalidade de bater metas de redução de custos e de desmontar a empresa pública, diretoria do BB vem indevidamente se utilizando da ferramenta de Gestão de Desempenho por Competências (GDP) para descomissionar funcionários, sob alegação de baixo rendimento. Neste mês de maio em Pernambuco, quatro funcionários do BB foram atingidos pela medida.

“Com esse terror instalado no dia a dia dos bancários, o BB tornou o seu corpo funcional adoecido e desacreditado da empresa, que tem mais de 200 anos e sempre foi orgulho para os seus funcionários. Não podemos ficar calados. O Sindicato tem o compromisso de continuar com as ações necessárias para o restabelecimento do nosso direito de utilizar a GDP para o aprimoramento das equipes, e não para perseguição e castigo”, avaliou a secretária-Geral do Sindicato e funcionária do BB, Sandra Trajano.

A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria estabelece que os descomissionamentos só podem ocorrer caso o funcionário apresente três ciclos avaliatórios negativos. Essa regra foi desrespeitada pelo banco. Segundo os relatos dos bancários que participaram da mobilização, os funcionários atingidos apresentavam resultados positivos no gerenciamento das suas respectivas carteiras.

Funcionária do BB, Júlia Barreto dialogou com os colegas de trabalho sobre a distorção imposta pela Superintendência do banco no uso da GDP. “Não dá para aceitar que uma ferramenta excelente de gestão de pessoas, que deveria ter uma avaliação de 360º, esteja sendo feita de cima para baixo. Não cabe na minha cabeça ouvir que nós somos apenas um número para o banco e que isso é um 'ajuste comportamental momentâneo', como eles estão falando. Precisamos nos unir e nos proteger, porque eles estão reinventando o assédio moral. Querem que a gente tenha medo de vir aqui, de parar, de entrar em greve e de negociar. Hoje estamos aqui não só pelos quatro descomissionados, mas para que isso não vire uma prática”, afirmou.

O ato teve como mote “BB: funcionário não é descartável” e chamou atenção dos transeuntes da Avenida Rio Branco, no Recife Antigo. Na ocasião, os dirigentes sindicais destacaram que o descomissionamento é parte do projeto de desmonte dos bancos públicos, que envolve também o fechamento de agências, redução do quadro funcional e precarização dos serviços prestados à população.

A presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, avaliou o que está por trás dos ataques ao BB, como empresa pública. “O governo federal intenta privatizar o Banco do Brasil e entregá-lo de bandeja ao mercado. E para isso vai assediar os colegas e vai matar adoecer os funcionários para atingir a meta, porque quer concorrer com bancos privados. Então, só a luta coletiva vai trazer vai manter o caráter público e os seus funcionários. O banco só vai ouvir vocês, o Sindicato e a sociedade com muita mobilização”. Avaliou.

A denúncia dos bancários pernambucanos será levada à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT).

Amanhã (17), os funcionários do BB terão a oportunidade de eleger a delegação pernambucana para o 29º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB). A votação será realizada durante assembleia geral extraordinária que começa às 19h, na sede do Sindicato.

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