05/01/2018

BB faz desmonte em surdina e Sindicato reage prontamente

Comandado pelo governo federal, o fechamento do Centro de Apoio aos Negócios e Operações de Logística (CENOP), situado em Pernambuco, é mais uma medida capciosa típica do suposto processo de reestruturação do Banco do Brasil (BB). Em um só golpe, a decisão tomada nesta sexta-feira (5) impactou a vida de mais de 200 empregados da estatal. 



O Comitê responsável pelo anúncio tentou abafar a informação, mas o Sindicato dos Bancários de Pernambuco descobriu a arapuca e imediatamente chegou ao setor onde ocorreria a reunião para comunicação oficial a fim de interceder em favor da categoria.

A entidade foi barrada com vetos à participação de diretores. Nem mesmo os dirigentes vinculados ao BB conseguiram contactar com a Superintendência do banco para obter os devidos esclarecimentos. A participação só foi permitida após intensa pressão dos sindicalistas e dos funcionários.

Na ocasião, o Comitê informou que serão criadas 176 vagas no Centro de Atendimento do Banco do Brasil (CABB), todas comissionadas, não significando, no entanto, que os comissionados deslocados vão assegurar os mesmos proventos, e poderá haver ascensão, lateralidade ou redução salarial. Comunicou-se também que até o fim de fevereiro o espaço estará em funcionamento, substituindo o CENOP. Duas datas já estão agendadas para demais detalhamentos  à Gerência de Pessoal (GEPES): a primeira reunião acontece nesta terça-feira (9); a segunda na quinta-feira (11).

“Mais uma vez o processo de desmonte ocorre em surdina para tentar nos imobilizar e assim fragilizar os empregados. Apesar da postura antissindical da direção da empresa, conseguimos nos reunir com os bancários e nos colocamos à disposição para fazer tudo que for possível, tendo em vista a garantia dos direitos. Também nos reunimos com os representantes do banco para exigir garantias legais, transparência, lisura e respeito para com os trabalhadores”, afirmou a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues.

Já a secretária-Geral do Sindicato, Sandra Trajano, abordou os procedimentos temerosos ora adotados. “Existe claramente desrespeito de parte do BB para com as instâncias de negociação, considerando que não há nenhum diálogo, tampouco o recebimento de qualquer comunicado oficial sobre esse tipo de medida. Esperamos que as reuniões agendadas, de fato, forneçam mais dados para que possamos monitorar o processo”, criticou.

Diante deste quadro de desmonte, outra situação que preocupa os dirigentes sindicais é o deslocamento de comissionados para outros pontos de atendimento criados pelo BB. “Todas as agências vivenciam mudanças a partir do Programa de Adequação de Quadro (PAQ), porém, simultaneamente, o banco está criando dois escritórios digitais, fazendo com que os comissionados percam as comissões nas agências e migrem para esses escritórios” alertou o diretor sindical, Cléber Rocha.

Além dos dirigentes sindicais, a reunião contou com a participação de dois delegados sindicais, Ronilson Sena e João Menezes; além do representante da Unidade de Operações (UOP), Luiz Fernando; do gerente da Unidade de Canais (UNC), Fausto de Andrade Ribeiro; do gestor da GEPES, José Antônio; e do gerente-Geral do CENOP, Samuel Nonato.

Ainda em curso, o plano de desestruturação do BB teve início em 2016 por meio do Plano de Demissão Voluntária (PDV) que já desligou mais de 10 mil empregados e fechou mais de 400 agências em todo o País.

Na avaliação feita pela diretoria do Sindicato e pelos funcionários do BB, tais medidas fazem parte do processo do desmonte dos bancos públicos engendrada pelo sistema financeiro internacional, tendo em vista o crescimento do mercado rentista no Brasil, que se sustenta da especulação e da agiotagem.

“Estamos certos que precisamos permanecer nas trincheiras contra essa política econômica ultraliberal que leiloa o Brasil. Permanecer na luta é a garantia que teremos alguma resposta positiva no futuro próximo. A campanha em defesa dos bancos públicos vai continuar, por isso convocamos todas as bancárias e bancários para permanecerem firmes na defesa dos nossos direitos duramente conquistados”, concluiu Suzineide Rodrigues.

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