28/08/2017

Frente em defesa dos bancos públicos é lançada em Pernambuco



Na data em que se comemora nacionalmente o Dia dos Bancários, 28 de agosto, o Sindicato dos Bancários de Pernambuco realizou o lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos. A audiência pública ocorreu no Plenarinho da Câmara dos Vereadores do Recife, que teve a sua capacidade esgotada com a presença de mais de cem participantes, entre parlamentares, bancários e representantes de movimentos sociais.

A necessária luta em defesa dos bancos públicos e contra o projeto ultraliberal do presidente ilegítimo e corrupto Michel Temer - que não só retira direitos dos trabalhadores como entrega as riquezas nacionais ao capital privado - é posição compartilhada por todos os presentes. 

Em sua fala de abertura, a presidenta Suzineide Rodrigues destacou a luta e a resistência da categoria. “Hoje, reafirmamos que os bancários e a sociedade pernambucana não irão aceitar esse desmonte. Vamos enfrentar o Estado privatista do golpista Temer e esse Congresso, que se leiloa para aprovar propostas que prejudicam a população”, afirmou.

Além da presidenta da entidade, Suzineide Rodrigues, compuseram a mesa o senador Lindbergh Farias (PT); a deputada estadual Teresa Leitão (PT); e a vereadora Marília Arraes (PT). Representando os empregados dos bancos públicos: o presidente da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Apecef), Paulo Moretti;  o funcionário do Banco do Brasil e diretor do Sindicato, Cléber Rocha;  o funcionário do Banco do Nordeste do Brasil e diretor do Sindicato, Rubens Nadiel; e a funcionária do Banco do Rio Grande do Sul e diretora do Sindicato, Janaína Kunst.

A silenciosa reestruturação que ocorre no BNB foi a primeira a ser exposta na ocasião. “O Banco do Nordeste também vem passando por um desmonte, com o fechamento de agências. Em Pernambuco, foram fechadas duas unidades. Está havendo perda de funções e redução de funcionários nas agências. Estou vindo de uma reunião, realizada em Fortaleza, e a diretoria apresenta esse plano de desestruturação como algo natural e positivo. É humanamente impossível trabalhar da forma que eles estão propondo”, relatou Nadiel. Ele ainda destacou o papel social exercido pelo BNB ao fomentar o desenvolvimento dos municípios do Nordeste.

Outra realidade semelhante é a do Banrisul. “Nosso banco é um dos poucos estaduais que ainda restaram no país. Nós contamos com onze mil empregados, aproximadamente, mas no ano passado esse quadro foi reduzido em quase um mil e temos 700 pessoas incluídas no Plano de Demissão Voluntária”, disse Janaína. 

Vítima de um processo mais duradouro, o Banco do Brasil havia recuperado durante o governo Lula e Dilma o contigente que perdeu no governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), mas agora voltou a ser alvo do governo Temer. “Em 17 abril do ano passado começou o golpe contra os trabalhadores. Fecharam mais de 400 agências do Banco do Brasil e o número de funcionários reduziu, preparando o banco para privatização”, relembrou Cléber Rocha.

Para Paulo Moretti, a intenção do governo não é apenas reduzir o tamanho, mas também a importância dos bancos públicos. “Querem entregar a loteria, o FGTS e os clientes para a concorrência. Os nossos colaboradores estão num ambiente de trabalho de adoecimento. E não falo numa visão corporativista. Estamos pensando nos prejuízos para a sociedade”, diz.

A deputada Teresa Leitão considerou o debate levantado pelo Sindicato como estratégico diante da atual conjuntura política.  “O rentismo e o sistema financeiro tem dado as cartas no Brasil. Não só financiou o golpe como agora financia os elementos estruturais do conteúdo do golpe. A leitura de que um banco público tem uma função social em contraponto à acumulação de capital é fundamental. E o sindicato acerta quando estrapola o corporativo”, destaca.

A vereadora Marília Arraes também considerou a mobilização importante. “Precisamos concientizar as pessoas sobre o que significa o desmonte. Só conseguiremos combater tudo isso com a mobilização do povo”, avalia.





Presidente da Frente Parlamentar Nacional em Defesa dos Bancos Públicos, o senador Lindbergh Farias ressaltou que estamos vivendo uma segunda ofensiva do neoimperialismo. “Nos anos 90, existia um processo mais gradual de implementação do conjunto de reformas e privatizações na América latina, pois o governo estava preocupado em não se tornar impopular. Mas, agora é tanto ataque contra os trabalhadores e contra a soberania nacional que as vezes a gente não consegue acompanhar”, comparou. 

O senador ainda criticou a privatização dos 57 ativos anunciados pelo governo, além da Eletrobrás, e a venda de parte da Amazônia. “No momento em que a economia está em resseção o país devia pensar em como gerar emprego. Mas é só austeridade. E quando você corta um por cento de investimento, você joga a economia para baixo”, alertou.

O parlamentar encerrou sua fala apresentando dados que demonstram que os bancos públicos foram os responsáveis por minimizar os impactos da crise em 2008. Enquanto os bancos privados se retraíram, a Caixa e o BB liberaram o crédito necessário para o desenvolvimento do país. 

A Frente já foi lançada nacionalmente na Câmara Federal, em junho deste ano, e deve ser replicada em todos os Estados. Em Pernambuco, o Sindicato instalou a Frente e também lançou nesta segunda-feira (28), uma grande campanha de mídia em defesa dos bancos públicos.

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