12/08/2017

Bancários do Interior discutem a importância da participação na luta em defesa de seus direitos



O papel de cada bancário na luta em defesa dos seus direitos foi assunto de destaque no 6ª Encontro dos Bancários do Interior, realizado hoje (12), em Arcoverde, no Sertão pernambucano. Esta é a primeira etapa da agenda, que pela primeira vez terá mais de uma edição, com o objetivo de ampliar a participação da categoria. A próxima está marcada para o próximo sábado, dia 19, em Serra Talhada.  

Compuseram a mesa do encontro hoje a presidenta do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Suzineide Rodrigues, a secretária-Geral da entidade, Sandra Trajano, a diretora da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Fetrafi-NE), Tereza Souza, a técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Jaqueline Natal, e o secretário de políticas sindicais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT), Gustavo Tabatinga.  

Durante toda a programação, a diretoria e os palestrantes deixaram claro que o enfrentamento aos ataques contra a classe trabalhadora, a defesa do emprego e a garantia dos direitos são um dever de toda a categoria e devem ser cumpridos diariamente, em todos os lugares. A presidenta do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Suzineide Rodrigues, destacou, em sua fala, que estas são lutas conjuntas e que mais do que nunca é preciso que a categoria se mantenha unida.

"Chegou o momento de cada trabalhador identificar o seu papel no combate a essa série de retiradas de direitos e entender os riscos que estão sofrendo. Entretanto, o que vem acontecendo é que muitos deles não se sentem ameaçados de verdade, quando deveriam se sentir, até porque a realidade é que nenhuma função está totalmente imune de ser extinta nestes processos de reestruturação cada vez mais violentos", analisou.

Após uma profunda análise de conjuntura feita pela presidenta, foi a vez da técnica do Dieese, Jaqueline Natal, falar aos bancários sobre os riscos crescentes trazidos com a tecnologia. 

"Os bancários enfrentam hoje um processo tecnológico que nós chamamos de 4º Revolução Industrial, algo que provoca uma profunda transformação na hora de produzir e traz uma automação extrema aos negócios. Esse e outros processos vêm com o claro objetivo de afastar os trabalhadores de suas funções e todos eles convergem na precarização das relações de trabalho", alertou. 

Jaqueline também trouxe dados que comprovam o risco iminente de perda de emprego para toda a classe trabalhadora. "Estima-se que até 2020 haverá uma perda líquida de 5 milhões de empregos, sendo a razão de 7,1 milhoes de postos de trabalho fechados, para 2,1 milhoes criados, em decorrência de mudanças estruturais no mercado de trabalho. Também se fala sobre a possibilidade de 57% dos postos de trabalho serem substituidos por máquinas. Os bancários devem estar atentos, sempre criando estratégias para contrapor as previsões", analisou. 



Seguindo a mesma linha de debate, o secretário de políticas sindicais da Contraf/CUT, Gustavo Tabatinga, reforçou o alerta para os impactos tecnológicos.

"Hoje em dia até os depositos de cheque podem ser feitos online. As empresas tentam tomar conta até dos investimentos que os clientes fazem. São avanços gigantescos. Não bastasse isso, neste capitalismo doente, as pessoas querem usar as tecnologias para retirar os direitos dos trabalhadores. Eles querem sugar o nosso trabalho e fazer com que só um grupo seja beneficiado. Nós não podemos e nem vamos aceitar isso. Vamos resistir!", convocou.  

Após as palestras dos representantes nacionais, a presidenta Suzineide Rodrigues voltou a falar sobre o medo que circunda a categoria bancária e declarou que a prioridade do sindicato continua sendo mobilizar a categoria para a resistência. 

"Quando vemos bancos públicos como a Caixa Econômica Federal perdendo o seu papel social, quando somos obrigados a aceitar que mais de 100 itens da nossa CLT sejam alterados, quando acompanhamos o fechamento de diversas agências e postos de trabalho, enfim, quando sentimos na pele o desrespeito dos banqueiros e desse governo golpista, é inevitável nos sentirmos tristes. Mas eu acredito que é exatamente nesse cenário que temos que transformar o medo e a tristeza em ânimo e não nos acomodar. Por isso, vamos continuar intensificando nossa agenda de debates construtivos e seguir firmes na luta", anunciou. 



O encontro deste sábado foi a primeira atividade sindical que o bancário Fernando Izídio, funcionário do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) na agência de Pesqueira há três anos, participou. Ele foi acompanhado das filhas Fernanda, de 14 anos e Gabriela, de 6, e da esposa, Girlane, e revela ter gostado da experiência.

"Trouxe minha família aqui para que eles possam conhecer melhor o meu trabalho e saber mais sobre a minha rotina. Agradeço o convite do sindicato. Entendo que a maior contribuição que a entidade nos dá é no dia a dia, sempre procurando saber mais sobre nossas dificuldades e tentando nos deixar mais tranquilos em nossas funções", analisou. 



A bancária Dayse Borges, funcionária do Bradesco de Custódia, também elogia a iniciativa da entidade. "Essa representação é muito importante. Nos sentimos envolvidos. Espero que esse tipo de debate possa se expandir não só para a classe trabalhadora, mas para toda a sociedade, para que assim possamos ter relações mais humanizadas", declarou.

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