29/11/2016

Direção da Contraf analisa conjuntura e lideranças sindicais afirmam que o golpe está fragilizado


A Direção Nacional da Contraf-CUT, composta por representantes dos sindicatos e federações de diversas partes do país, se reuniu, nesta segunda-feira (28), na sede da Confederação, em São Paulo, para tratar de pautas enviadas pelos sindicatos, atendendo ao estatuto da entidade, de reunião anual dos diretores.

Ao todo 65 delegados e delegadas de todo país estão inscritos para a reunião, que teve início com uma análise da conjuntura atual do país, em especial sobre os ataques e ameaças vividos pela classe trabalhadora.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, disse que o momento vivido não só no Brasil, mas em todo o mundo, é de preocupação. “Falo isso não apenas como sindicalista, mas como cidadão, um habitante do planeta preocupado com o aumento da violência, da exclusão social e com o ataque à democracia”, alertou Vagner, ao dizer, também, que a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos é a própria representação do capitalismo, e que “todos os trabalhadores saem prejudicados”.

Trabalhadores podem virar o jogo

Por outro lado, o presidente da CUT, afirmou que os golpistas passam por inúmeros problemas, com muitas denúncias, disputas entre si, e que os trabalhadores brasileiros podem virar o jogo.

“Os golpistas não têm condições de disputar as ruas, porque perderam a desculpa do combate à corrupção. Todos são corruptos. O ex-ministro da Cultura (Marcelo Calero), não gravou conversas só com Temer não, gravou com o ministério todo, com a república toda. Os golpistas estão há seis meses no poder, com uma crise que se aprofunda a cada dia”, ressalta.

“Diferente de Dilma, que os próprios golpistas chegaram a afirmar que não estava sendo acusada de corrupção, no caso de Temer é o contrário, a acusação é de prevaricação, usando o cargo público para defender interesses pessoais, de outro ministro (Geddel). O impeachment de Temer tem fundamentos jurídicos concretos”, explicou ao dizer também que a esquerda brasileira precisa se unificar.

“Queremos o impeachment de Temer com Diretas Já. Temos que ter ânimo para virar o jogo e trazer a democracia de volta no Brasil”, conclui o presidente da CUT.

Golpe dentro do Golpe

O presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, ressaltou que a democracia implica em debates, em plebiscitos, e que a narrativa de combate à corrupção dos golpistas é o ódio. “Eles têm um discurso de ódio como uma vacina contra esquerda e o governo que conseguiu avanços sociais no Brasil. A imbecilidade move a nossa direita”, disse.

Roberto von der Osten também destacou que está havendo um golpe dentro do golpe. “É o que está absolutamente desenhado. O ex-ministro da Cultura falou em chicana em entrevista no Fantástico, sem maquiagem. Depois olhamos a capa da Veja, extremamente eloquente, com ministro que nem caiu ainda, já riscado. A Folha de São Paulo que, antes falava de contas de campanha separadas, com grande defesa de Temer, agora diz que as contas de Dilma e Temer são a mesma. As elites estão mordendo o Temer com o veneno que moderam Dilma”, afirmou.

Hora de avançar

Juvandia Moreira, vice-presidenta da Contraf-CUT e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, avaliou que o momento é de resistência, mas também de avançar.

“Precisamos discutir nosso processo de organização sindical e dos bancários. Com o acordo de dois anos que fechamos com os bancos, não ficamos só nos índices salariais, temos a oportunidade de debater as demandas da categoria e dos trabalhadores em geral, neste momento de disputa de poder”, disse. 

A vice-presidenta da Contraf-CUT também trouxe para o debate as mudanças no mundo do trabalho. “Com digitalização a tendência é que 35% das profissões sumam no mundo todo. O emprego bancário está sendo pautado pela revolução tecnológica. A previsão é que a concentração de renda seja tão grande que irá gerar um exército de miseráveis. No BB são mais de 9 mil famílias que podem ter suas vidas afetadas pela reestruturação. Temos que nos organizar diante disto e discutir com nossas bases este novo cenário ”, afirmou. 

Congresso Extraordinário

Na segunda etapa da reunião, os delegados e delegadas aprovaram a realização de um Congresso Extraordinário a ser realizado nos dias 9 e 10 de março de 2017.

As pautas abordadas no Congresso serão: análise de conjuntura, ações da categoria frente à política nacional, rumos da política atual e reforma estatutária.

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