06/07/2011

Paralisação dos bancários arranca negociação com o Itaú nesta quinta

Os bancários do Itaú realizaram nesta quarta-feira, dia 6, uma série de protestos e paralisações de norte a sul do Brasil, num dia nacional de luta contra as demissões que o banco vem promovendo em todo o país. Em Pernambuco, o Sindicato paralisou pela manhã o prédio da Administração Regional do Itaú, onde também funciona a agência Parque Amorim, e a agência Entroncamento, no mesmo bairro. A pressão dos bancários surtiu efeito imediato e a direção do Itaú agendou uma negociação com o Sindicato e com a Contraf-CUT para esta quinta-feira, dia 7, às 14h30, em São Paulo.

Para o diretor do Sindicato, João Rufino, a força mostrada pelos bancários nos protestos desta quarta foi fundamental para garantir a retomada das negociações. “Do jeito que estava, só a mobilização dos funcionários poderia fazer o Itaú se mexer e chamar o Sindicato para conversar. Agora, vamos para a mesa de negociações exigir que o banco pare imediatamente com as demissões”, afirma Rufino.

Segundo o dirigente, o clima nas agências e departamentos do Itaú está péssimo. “Todo mundo está com medo de ser demitido. Além disso, o quadro de funcionários está muito enxuto e os bancários estão trabalhando sobrecarregados. Não é a toa que o número de lesionados aumentou muito este ano, principalmente por conta da falta de mão de obra e pelas péssimas condições de trabalho, com pressão desmedida para o cumprimento de metas que são abusivas e desumanas”, explica Rufino.

O sindicalista destaca que o banco também não está cumprindo seu compromisso assumido com os bancários. Na época da fusão com o Unibanco, a empresa afirmou para o Sindicato que não haveria demissões. O presidente do Itaú, Roberto Setúbal, chegou a declarar publicamente, em 2008, que os empregos seriam mantidos.

Para piorar a situação, a reportagem da revista Exame Finanças, na edição do dia 15 de junho, comprova que o Itaú Unibanco iniciou um duro programa de corte de custos e reorganização interna "para atingir o grau de eficiência que seus acionistas esperam". As demissões estão ocorrendo em todos os setores do banco. Apenas nos meses de abril e maio, de acordo com a revista, cerca de 350 profissionais deixaram o banco, a maioria deles pertencente à área de crédito ao consumidor, que engloba a financeira e o segmento de cartões de crédito. Ainda segundo a revista Exame, comenta-se no banco que mais bancários serão demitidos quando for fechado o centro de processamento de dados do Unibanco, previsto para ocorrer até o fim do ano.

Para o Sindicato, com lucro recorde de R$ 3,53 bilhões no primeiro trimestre de 2011, as demissões são injustificáveis. Em todo o Brasil, os sindicatos constataram que, para suprir a demanda dos clientes, trabalhadores estão sendo sobrecarregados, além de conviverem com desvios de função e o fantasma da terceirização. Os sindicatos estão recebendo denúncias de que gerentes operacionais estão deixando suas funções para assumir atendimento nos caixas.

A política do banco também prejudica a clientela, que sofre com filas e ainda paga tarifas elevadas. Por conta disso, o protesto dos bancários ganhou o apoio dos clientes da agência Parque Amorim. Ouça as entrevistas com clientes e funcionários abaixo, na Rádio dos Bancários.

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