06/07/2011

Polícia Federal multa seis bancos em R$ 635,6 mil por falhas na segurança

O Itaú Unibanco, o Santander, o Bradesco, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o HSBC foram multados nesta quarta-feira, dia 6, em R$ 635,6 mil por descumprimento de leis e normas de segurança. As punições foram aprovadas no julgamento de 49 processos, durante a 90ª reunião da Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (CCASP) do Ministério da Justiça, sob a coordenação da Polícia Federal, em Brasília.

As principais infrações dos bancos foram a ausência de plano de segurança aprovado pela Polícia Federal, número insuficiente de vigilantes e alarme inoperante, dentre outros itens. "Apesar dos lucros recordes, os bancos continuam tratando com descaso a segurança dos trabalhadores e clientes", criticou o secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr, que representou os bancários na reunião da CCASP.

Um total de 27 processos foi arquivado por vários motivos. Uns por falhas administrativas; vários pela vigência da polêmica Mensagem nº 12/2009 da Polícia Federal, que acabou com a rendição de vigilantes no horário de almoço; outros pelo encerramento de atividades de agências punidas com a pena de interdição; e ainda outros por causa da prescrição, na medida em que ficaram sem movimentação nos últimos três anos.

O novo coordenador-geral da CCASP, delegado Clyton Eustáquio Xavier, afirmou que vai solicitar o aumento da equipe de trabalho para evitar novas prescrições e disse que está com as portas abertas para dialogar com todos os segmentos.

A Febraban ainda retirou 7 processos para vistas e que voltarão a ser pautados na próxima reunião. Desta forma, o total foi 83 processos analisados.

Veja a relação das multas por banco:

- Itaú Unibanco: R$ 211.756,00
- Santander: R$ 180.908,00
- Bradesco: R$ 83.354,00
- Banco do Brasil: R$ 81.582,00
- Caixa: R$ 44.336,00
- HSBC: R$ 33.695,00
- Total: R$ 635.631,00

Na segunda reunião da CCASP em 2011, também estiveram em pauta 246 processos envolvendo empresas de vigilância, transportes de valores e centros de formação de vigilantes. Houve aplicação de advertências, multas e cancelamento de alvarás de funcionamento.

"Saidinha de banco" - Na reunião, Ademir cobrou uma resposta da carta enviada no dia 31 de maio pela Contraf-CUT e Sindicato dos Bancários de São Paulo. As entidades pediram um parecer da Polícia Federal sobre a legalidade do acordo entre a Polícia Militar de São Paulo e a Febraban para combater os crimes de "saidinha de banco".

"Questionamos o papel da segurança pública quando faz rondas dentro de agências e áreas de estacionamento dos bancos e deixa de atuar nas ruas, onde deveria estar para prevenir assaltos e outras ações criminosas contra a população", afirmou o diretor da Contraf-CUT. "Não aceitamos que a segurança pública exerça funções de segurança privada, que é de responsabilidade dos bancos, conforme estabelece a lei federal nº 7.102/83", salientou.

"Nós não concordamos com privilégios e defendemos ações de segurança pública para o conjunto da sociedade", reforçou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Vigilantes (CNTV), José Boaventura Santos. A Polícia Federal disse que o assunto está sendo analisado.

Ademir divulgou a nova pesquisa nacional da Contraf-CUT sobre mortes em assaltos envolvendo bancos no primeiro semestre deste ano. O levantamento, feito com base em notícias da imprensa, apontou 20 mortes, sendo 11 em "saidinha de banco", um crescimento de 81% em relação ao mesmo período do ano passado.

A reunião foi a última presidida pelo ex-coordenador-geral da CCASP, delegado Adelar Anderle, que conduziu os trabalhos nos últimos cinco anos e contribuiu para o fortalecimento do controle e fiscalização da Polícia Federal sobre bancos e empresas de segurança. Foi também autor do projeto de Estatuto da Segurança Privada, que está em discussão no Ministério da Justiça e no Congresso Nacional. Uma foto de Adelar foi descerrada na Galeria de Ex-Dirigentes da CGCSP, durante cerimônia.

A CCASP foi mais uma vez acompanhada pelo Coletivo Nacional de Segurança Bancária da Contraf-CUT, formado por dirigentes de sindicatos e federações, que se reuniu no dia anterior para analisar os processos e preparar o posicionamento dos bancários. Também participaram da CCASP representantes dos vigilantes, bem como do governo e de entidades patronais, como a Febraban.

Compartilhe no
Notícias relacionadas...

Outras notícias...

Expediente:
Presidenta: Suzineide Rodrigues • Secretário de Comunicação: Epaminondas Neto • Conselho Editorial: Suzineide Rodrigues, Epaminondas Neto, Josenildo Santos, Beatriz Albuquerque e Expedito Solaney • Jornalista Responsável: Beatriz Albuquerque  Redação: Beatriz Albuquerque e Brunno Porto • Produção de audiovisual: Kevin Miguel •  Programação Visual: Bruno Lombardi