MEMÓRIAS...
21/10/2008
A febre das privatizações
Foram anos inglórios para os bancários os que fazem a segunda metade da década de 90. Para o pessoal de bancos privados, é época de fusões, invasão de bancos estrangeiros, demissões. Para os de bancos oficiais, um dos grandes dramas foi o fantasma da privatização, que abocanhou as instituições estaduais, a exemplo do Bandepe. A essa sombra uniu-se outra: a chamada reestruturação, que significou, para os trabalhadores, demissões, retirada de direitos e perdas salariais.

No Bandepe, a luta foi longa. E, se não conseguiu evitar a venda do banco, conseguiu ao menos um dos melhores acordos para os empregados de bancos estaduais privatizados. Uma briga que já vinha do início da década, quando as demissões prepararam a venda do banco. E se arrastou de 96 a 98, com direito a greve, manifestações, assembléias lotadas, audiências e negociações. No dia 17 de novembro de 98, o Bandepe foi vendido ao ABN pelo preço mínimo: R$ 182,9 milhões.

Para os trabalhadores de bancos privados, as incorporações e fusões foram, quase sempre, traumáticas. O Proer - Programa de Estímulo à Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro, lançado em 95, foi o grande ator desta novela. O Econômico foi vendido ao Excel, adquirido depois pelo BBV. O Bamerindus passou para o HSBC.

Na esteira da estrangeirização e fusão entre bancos vieram as demissões. Em 1990, eram 753.636 trabalhadores bancários no país. Em 2002, o número caíra para 398.098. Não à-toa a garantia de emprego foi foco de boa parte das Campanhas Salariais. Chega de cortes, anunciavam os bancários na Campanha de 98, que tinha a tesoura como marca.

Na Caixa, BNB e Banco do Brasil, foram anos de perda de direitos; desestruturação dos Planos e Cargos e Carreiras; Planos de Demissão Voluntária; transferências compulsórias; zero de reajuste salarial. As Campanhas terminavam em dissídio coletivo, geralmente ajuizado pela Contec - Confederação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito, sempre em prejuízo dos trabalhadores. Os bancos recusavam-se a negociar. Muitos trabalhadores, sufocados pelo medo e pela pressão, calavam-se, acomodados.



Conquistas

1996: depois de nove dias de greve nos bancos privados, os banqueiros apresentam aumento de 12% nos pisos salariais e PLR de 60% dos salários mais R$ 270. Em 97, as únicas conquistas foram a PLR de 80% dos salários e o início da concessão de auxílio para qualificação profissional. Em 98, o foco passa a ser a preservação dos empregos. Os bancos oferecem reajuste zero e propõem ampliação da jornada. O acordo acaba fechado em apenas 1,2% de reposição. Em 99, o reajuste sobe para 5,5%. Em todos estes anos, os salários estão congelados nos bancos públicos.

Bancos públicos

Na Caixa, os anos FHC começaram com o retorno do banco à atuação na área comercial. Seguiram-se três programas de demissão voluntária. E, na segunda gestão, foi instituído o RH 008, que permite demissões sem justa causa. A intenção do governo era transformar o BNB e o Basa em agências de fomento. Caixa e BB seriam preparados para a privatização. Em três anos, 50 mil bancários foram demitidos pelos bancos oficiais.
Fonte: SEEC/PE
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