| Artigos |
| 30/01/2010 |
| A nossa vida por um fio |
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Nos últimos anos, a violência que invade nossas vidas e salta aos olhos tem se tornado frequentemente motivo de estudos e de teses sociológicas, que tentam compreender esse fenômeno social, cada vez mais banalizado pelas lentes de filmadoras de celulares e fotógrafos amadores, os quais flagram momentos de tensão e ódio, expostos em jornais e telenoticiários como fato corriqueiro. Esse texto é uma variação do mesmo tema, que tantas vezes já denunciamos: Negligência dos banqueiros e empresários do ramo de segurança e avanço e sofisticação com ares profissionais das táticas e armamentos usados nos assaltos a bancos e carros-fortes. Não é de hoje que todos os trabalhadores do setor de crédito no país sejam eles bancários, financiários, funcionários de cooperativas de crédito, bancos de pagamento ou casas lotéricas, estão expostos a mesma e igual violência diária da pressão para atingir metas impostas unilateralmente pelo patrão. Mas, o mais vil de todos os riscos, é ter nossas vidas por um fio, na eventualidade de um assalto ou sequestro. Nossa rotina é interferida pela violência que não é somente um problema dos governos, como insistem em afirmar os banqueiros. Usando o lema: "assalto a banco é um problema de segurança pública "... tentam se livrar de suas ir-responsabilidades. Mas, há leis que regulam o setor e interferem no tipo de serviço prestado por essas instituições de crédito: a Lei 7.017 obriga os bancos a terem, durante todo o expediente ao público, ao menos 02 (dois) vigilantes, entre outros dispositivos negligenciados como câmeras e uso de portas com detector de metais, esse último obrigatório em muitas cidades, também por leis municipais. O grande problema é a frouxa fiscalização dos órgãos competentes, que por vezes até compartilham a negligência com aqueles os quais deveriam fiscalizar. Um exemplo é o caso da Delegacia Especializada em Segurança Privada (DELESP), órgão do Ministério da Justiça ligado a Polícia Federal, que há muito tempo perdeu prestígio junto ao movimento sindical bancário pela sua ineficácia e ineficiência em punir e multar os bancos e empresas de vigilância que diariamente colocam em risco milhares de vidas, sendo essa linguagem monetária a única que esses capitalistas compreendem. Hoje a DELESP está com o efetivo resumido e cumpre um inglório papel burocrático, que pouco ou muito pouco serve para sua vocação. O resultado dessa equação que envolve negligência do setor privado e falta de fiscalização do setor público é que vivemos sobre o fio da navalha e ao menor deslize, o resultado gerado são danos a saúde física e mental dos trabalhadores do ramo financeiro e de vigilância, quando não, na pior hipótese, esses têm ceifadas suas vidas gerando viúvas e órfãos. Outro resultado é a organização em escala empresarial do crime em nosso país, que se ainda não tem o perfil de máfia, chega perto: Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital, diversos tipos de Milícias, onde se misturam bandidos e policiais, aposentados ou não, e políticos para explorar e lucrar com o que deveriam combater: a violência e o crime. A outra ponta desse esquema é o aumento do poderio bélico e financeiro do crime organizado, que a cada assalto bem sucedido, além do numerário, leva também armas e coletes a prova de balas. À frente da Secretaria de Saúde do Trabalhador do Sindicato já há alguns anos, tenho registrado muitos casos de Stress pós Traumático, Síndrome do Pânico e Depressão Profunda causado por assaltos. Muitas dessas patologias não teriam se instalado nas mentes dos bancários e bancárias vitimas de assaltos ou sequestros no local de trabalho, se todos os bancos privados adotassem o protocolo de atendimento nesses casos que são praticados pelo Banco do Brasil e Caixa, inclusive com a emissão da CAT. Nosso apelo é sempre o mesmo: Não deixe a violência sofrida passar despercebida, ligue para o sindicato e busque ajuda, denuncie a negligência do banco, somente assim nós conseguiremos ser de fato Fortes. |
| João Rufino Secretario de Saúde do Sindicato dos Bancários de Pernambuco |
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